RETIRO QUARESMAL – Décimo Oitavo Dia (Terça-feira – 3º Semana da Quaresma)

«Não sete, mas até setenta vezes sete»(Mt 18, 21).

Texto Bíblico: Mateus 18, 21-35

Nosso Senhor já tinha dado a S. Pedro o supremo poder de ligar e de desligar.
Era a recompensa da sua fé admirável: «Tu és Pedro, tinha-lhe dito, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e der-te-ei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligares sobre a terra será desligado no céu». Era confiar-lhe ao mesmo tempo a suprema autoridade do legislador e a suprema jurisdição do tribunal da misericórdia (Mt 16).
Mais tarde Nosso Senhor indica aos seus apóstolos que este poder passará de S. Pedro a todos eles: «Digo-vos na verdade, tudo o que ligardes sobre a terra será ligado também no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado também no céu». Pedro permanece o canal único e sagrado, por onde desce do céu e se multiplica na Igreja, o poder de ligar e desligar.
Prometendo assim o perdão aos pecadores, Nosso Senhor está todo emocionado de misericórdia, ratifica já no seu Coração os milhões e milhões de absolvições que os seus ministros pronunciarão ao longo dos séculos. Sobre que é que poderia conversar com os seus discípulos neste momento, senão acerca do perdão das injúrias? O seu Coração transborda deste espírito de perdão, e está cheio dele como de um abismo. Fala sobre este tema, escutemo-lo.
«Senhor, diz Pedro aproximando-se de Jesus, se o meu irmão pecar contra mim, quantas vezes lhe perdoarei? Será até sete vezes! (S. Pedro julgava ser muito generoso). – Não digo até sete vezes, respondeu-lhe Jesus, mas até setenta vezes sete (Isto é ao infinito). – Depois o bom Mestre expõe a parábola do perdão das dívidas: «Um rei quis regular as contas com os seus servos. Apresentaram-lhe um que lhe devia dez mil talentos (vários milhões de francos). Este homem não tendo com que lhe pagar, o rei ordenou que fosse vendido, ele, a sua mulher, os seus filhos e tudo o que tinha para pagar as suas dívidas. O infeliz pediu graça, o rei teve piedade dele, mandou-o embora livre e perdoou-lhe a dívida.
«Mas eis que este se mostra intratável a seguir para com um amigo que lhe devia uma pequena soma de dinheiro. O rei manda-o chamar e diz-lhe: «Servo mau, a teu pedido, perdoei-te toda a tua dívida, não deverias tu ser indulgente também para com o teu companheiro?». E condenou-o.
Ó Jesus, eu vos devo dez mil talentos e mais, perdoai-me esta dívida, porque sois um bom Mestre.

Oração:
Pai santo, rico em misericordioso, lento para a ira e grande no amor. Diante da bondade do teu coração, sentimo-nos pequenos e mesquinhos. Quantas vezes tens usado de paciência e compaixão conosco! Hoje, queremos comprometer-nos a tornarmos participantes da tua misericórdia e do teu amor. Depois de os termos recebido tão generosamente, queremos transmiti-los, difundi-los, oferecendo-os a quantos nos têm ofendido. Como Tu nos perdoaste, assim queremos também perdoar aos nossos irmãos, para continuarmos a merecer o teu amor e a tua misericórdia. Amém.