HOMILIA – Décimo Quarto Domingo do Tempo Comum

Mc 6, 1-6: A Voz de Deus
Na realização dos seus planos, Deus sempre chama e envia pessoas para serem a sua VOZ no meio do Povo.
Jesus volta a Nazaré e ensina na sinagoga.
O povo se admira da sabedoria, dos milagres… e, perplexo, se pergunta: “Quem é esse homem? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria?” Este Jesus não podia ser o Messias esperado. Eles esperavam um guerreiro como Davi, sábio como Salomão. Não um humilde carpinteiro. Eles o conheciam muito bem: o carpinteiro, filho de Maria, não poderia ser o enviado de Deus. Sua Palavra escandaliza, sua mensagem gera oposição e sua vida cria conflitos. Não conseguem reconhecer em Jesus o Messias esperado e o rejeitam. Até os parentes de Jesus não aderem à sua mensagem. JESUS, decepcionado, concluiu: “Um Profeta não é estimado entre os seus”. Mas apesar da incompreensão, continuou fiel aos planos do Pai…
Quem são os Profetas?
Os “profetas não são pessoas extintas do passado, mas são uma realidade com que Deus continua a contar ainda hoje para intervir no mundo. Todo “batizado” tem a sua história de vocação profética… O Profeta não é o encarregado de fazer milagres e prever o futuro. Deus espera dele uma coisa: que transmita a sua palavra. Deus não tem boca e precisa de alguém para ser a sua “Voz”.
Para isso, deve escutar a mensagem de Deus e deixar que ela penetre até o íntimo do coração… E depois anunciá-la com entusiasmo e fidelidade.
Como desempenhar a missão de Profeta?
Ele deve estar em comunhão com Deus e atento à realidade humana. Intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir. A denúncia profética implica, muitas vezes, a perseguição, o sofrimento, a marginalização e, em muitos casos, a própria morte…
Normalmente, Deus não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que os homens admiram tanto. Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, nas pessoas mais humildes e despretensiosas…
As nossas limitações humanas não podem servir de desculpa para não realizar a missão que Deus nos confia. Se ele nos pede um serviço, também nos dará a força para superar os nossos limites e para cumprir o que nos pede.
Jesus não fez milagres em Nazaré, porque não acreditaram nele… Só a fé dá condições para que os milagres aconteçam…
Hoje, afirma-se que “Santo de casa não faz milagre”. Por que será? A culpa é dele ou nossa? Conhecemos pessoas, ignoradas ou rejeitadas na própria Comunidade, que fazem grande sucesso lá fora? Por que será?
A Liturgia de hoje nos apresenta três exemplos bonitos: Ezequiel, Paulo e Jesus. Diante das dificuldades, nenhum desistiu. Lutaram e venceram.
Nós também podemos nos sentir na mesma situação: O testemunho, que Deus nos chama a dar, realiza-se, muitas vezes, no meio de incompreensões e oposições… Frequentemente nos sentimos desanimados e frustrados porque não somos entendidos, nem acolhidos. Temos a sensação de que estamos perdendo tempo…Jesus nos convida a nunca desanimar, nem desistir: Ele sabe como transformar um fracasso num êxito.
Qual a nossa atitude?
Nós continuamos a ser a “Voz” de Deus na comunidade, na família, mesmo diante das contrariedades e adversidades? Valorizamos as pessoas que atuam com dedicação em nossa comunidade, acolhendo-as como a “Voz” de Deus?
Façamos nossa profissão de fé, não apenas em Deus, mas também nas pessoas com quem convivemos… E veremos, que os santos de casa também farão milagres…